segunda-feira, 24 de abril de 2017

Lolita – A obra controversa de Vladimir Nabokov




Ficha técnica:
Livro: Lolita
Autor: Vladimir Nabokov
Ano de Lançamento: 1955
País: EUA
Gênero: Romance Americano/Ficção

Trata-se de um clássico da literatura mundial, portanto, muito já foi escrito a respeito desse livro e muito ainda será escrito. Baseado nas resenhas jornalísticas e críticas sobre essa obra muitas pessoas se recusam a ler o livro, talvez por um pudor exacerbado, e se privam de um romance altamente técnico e bem construído. O tema que o autor aborda na sua narrativa é sumariamente absurdo para a nossa sociedade cristã ocidental. E talvez seja o fato de o autor, ter tratado das aventuras sexuais de um homem de meia idade com uma menina de 12 anos, com tamanha maestria que esse romance cause ainda mais constrangimento a alguns leitores mais conservadores.
Mas a literatura como arte não serve – ou não deveria servir – a consolidação dos anseios sócias. Ela deve sim criar mundos, criar histórias pertinentes para que cada leitor se aproprie desse mundo que de outra forma não conseguiriam ter contato. E a matéria prima da literatura é o próprio homem, e as relações que ele estabelece com os outros. Nesse sentido, Nabokov buscou suas fontes não no mundo que ele gostaria que existisse, mas no mundo que já existe. Sendo assim, o autor foi feliz em explorar uma faceta obscura do ser humano de forma realista. Quando digo realista, quero dizer que ele não se deixou levar pelo moralismo exacerbado de sua época e deu voz a um personagem patologicamente obscuro, com todos seus demônios interiores sendo expostos em primeira pessoa. Pois, quando um autor usa sua arte para defender um ponto de vista simplesmente por que ele acha que certo faze-lo ele está se distanciando do que conhecemos como literatura e criando um manual de bons comportamentos, o que podemos definir hoje em dia como autoajuda.
Sobre a obra é preciso dizer que a narrativa é precisa, a genialidade de Nabokov é evidenciada a cada capítulo. As passagens mais geniais são uma sucessão de coincidências tragicômicas que marcam estrategicamente o enredo, dando uma dinâmica essencial ao desfecho de cada situação. Se trata de uma narração em primeira pessoa das memórias do professor universitário francês Humbert Humbert que vive nos EUA. Humbert se apaixona pela filha de sua anfitriã, uma garota de 12 anos. Paixão que vai levar o protagonista a fazer qualquer coisa para possuí-la. Sua conduta criminosa é narrada de forma crua e detalhada por ele próprio. Como se trata de suas memórias a respeito dessa paixão incontrolável que vai leva-los a uma viagem pelas estradas de alguns estados americanos, a história se assemelha a uma narrativa de viagem com fortes elementos subversivos. Em alguns momentos o narrador protagonista tenta justificar suas ações, como se estivesse conversando com o leitor, mas ele próprio não parece ter a intenção de se redimir de seus crimes, em várias passagens ele se auto intitula como um pervertido sexual. Com essa obra Nabokov introduz – ou pelo menos populariza – uma nova palavra ao dicionário de língua inglesa. O termo nymphet – traduzido para o português como ninfeta – é cunhado pelo narrador como um título que representaria a mulher precocemente preparada para desempenhar sua plena atividade sexual. No entanto, para a concepção pedófila do personagem de Nabokov esse adjetivo se aplica especificamente a meninas pré-adolescentes, pois o termo vai perdendo o sentido conforme elas envelhecem.

As questões sempre levantadas a cada uma de suas ações parecem ser: Será que Humbert é um doente que precisa de tratamento? Será que ele está simplesmente apaixonado? Ou será que ele é um monstro? O livro não se presa a responder essas questões, deixando ao leitor essas reflexões. Ou seja, se você está com receio de ler o livro devido as polemicas que ele levanta, saiba que esse não é um bom argumento, é importante conhecer, um pouco, de como funciona a cabeça de um criminoso, isso enriquecerá seu repertório de personagens que carregam mundos complexos dentro de si e que por isso nos fazem pensar sobre nós mesmos e nossas relações com os outros.


André Stanley alcunha de André Luiz Ribeiro é professor e escritor; autor do livro “O Cadáver” (Editora Multifoco – 2013); É membro efetivo da Asso. Dos Historiadores e pesquisadores dos Sertões do Jacuhy desde 2004. Atua hoje como professor e pesquisador de História Cultural. Também leciona língua inglesa, idioma que domina desde a adolescência, Administra e escreve para os blogs: Blog do André Stanley (blogdoandrestanley.blogspot.com) – Sobre História, política, arte, religião, humor e assuntos diversos e Stanley Personal Teacher (stanleypersonalteacher.blogspot.com) onde da dicas de Inglês e posta exercícios para todos os níveis.

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