quarta-feira, 16 de maio de 2018

FOLLOW THE CIPHER: A nova grande promessa do Metal sueco.



Já não é mais surpresa anunciar ótimas bandas de Metal oriundas da Suécia. A nova promessa dessas terras gélidas se chama FOLLOW THE CIPHER. Esta banda de Metal Melódico segue à risca a escola que a formou, mas ainda assim, consegue estabelecer sua identidade. Seu fundador, o guitarrista Ken Kängström, já é conhecido da cena, pois ele é o coautor de várias músicas do SABATON, além de ter participado das gravações das guitarras nos três últimos álbuns desta banda.

Em 2014, Ken decidiu se tornar protagonista e criar sua própria banda, começou a trabalhar duro compondo material inédito e buscando os integrantes certos. Foi nesse interim que conheceu a vocalista Linda Toni Grahn, com quem firmou uma parceria muito frutífera. Nascia então o FOLLOW THE CIPHER. Começaram a recrutar novos músicos e depois de experimentar algumas formações, se estabilizaram com 5 membros. Na bateria temos Karl Löfgren, na guitarra Viktor Carlsson e Jonas Asplind é o baixista. Agora com o time completo acabaram de lançar seu álbum de estreia (2018) autointitulado. É notório o uso de teclados e sintetizadores nas canções, mas a banda não conta com um tecladista fixo, portanto, ao vivo eles se utilizam de samplers pré-gravados, o que é largamente utilizado por bandas de Metal Sinfônico.

Sei que o Metal Melódico enfrenta uma fase de saturação, onde muitos clichês vêm sendo reproduzidos ao longo dos anos e que já nos acostumamos a não esperar nada de inovador nesse estilo, no entanto, apesar desta banda recorrer a vários moldes consagrados, como refrãos grandiloquentes, solos rápidos e vocais melódicos, há algo de peculiar nessa banda.

Estou falando da atmosfera criada pelas canções, que se encaixa perfeitamente à temática proposta pela banda. Eles criaram um mundo – explícito nas artes gráficas, figurino dos músicos e nas letras das canções – onde um grupo de rebeldes, conhecidos como “The Cipher,” lutam contra uma nova ordem mundial pós apocalíptica. Apesar de ser um enredo também explorado em demasia por séries e filmes hoje em dia, FOLLOW THE CIPHER é uma experiencia auditiva única.

Vestidos a caráter, os próprios membros da banda encarnam as personagens dessa trama, inclusive em suas apresentações ao vivo, mas é inegável que a vocalista Linda Toni rouba cena com seu cabelo rosa e sua voz robusta – e apenas como curiosidade, ela parece ser uma profissional da maquiagem, já que você pode encontrar alguns vídeos dela fazendo tutoriais de maquiagem no youtube.

Comparações com outras bandas do estilo serão feitas, como sempre. Há algumas músicas que lembram um pouco NIGHTWISH na época de Anete Olson. Há algumas intervenções de vocais masculinos que podem levar alguns a compararem com seus conterrâneos do AMARANTHE, mas a verdade é que os caras conseguiram criar uma identidade própria, mesmo com o mercado saturado.

Esse álbum é altamente recomendável para quem gosta de vocais femininos de alta qualidade, refrãos melódicos e de sociedades distópicas.

Assistam o clipe de Valkyria, do primeiro álbum de FOLLOW THE CIPHER.




Tracklist Follow The Cipher – Follow The Cipher




1.           Enter The Cipher
2.           Valkyria
3.           My Soldier
4.           Winterfall
5.           Titan’s Call
6.           The Rising
7.           A Mind’s Escape
8.           Play With Fire
9.           I Revive
10.       Starlight
11.       Carolus Rex
Line Up – Follow The Cipher
§     Linda Toni Grahn (Vocals)
§     Ken Kängström (Gitarre)
§     Karl Löfgren (Schlagzeug)
§     Viktor Carlsson (Gitarre, Vocals)
§     Jonas Asplind (Bass)


Fontes:



André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.

sexta-feira, 4 de maio de 2018

In trance- Vintage photography - Book cover.

Image- Stanley Creation



Tutorial video:


Model: Amber - by  CathleenTarawhiti

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Texture 2 - by Sirius-sdz

Effect - by CryoGfx


André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.

quinta-feira, 26 de abril de 2018

Blue Eyed Cat wallpaper



André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Lady Biker drinking beer




André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Filme: Escola da Vida - Um diálogo raso entre abordagens de ensino.



Nome: Escola da Vida
Nome original: School of Life
Direção: William Dear
Ano de produção: 2005
País: Canadá/EUA


A rotina de uma escola muda completamente com a entrada de um novo professor de História. Sr. D, como ficará conhecido, contagiará a todos com sua metodologia de ensino. Com aulas mais dinâmicas e divertidas logo se torna o comentário da escola. Até mesmo seus colegas de trabalho irão se afeiçoar a ele. Apenas um dedicado professor de biologia não o verá com bons olhos.

Warner tem motivos para ver Sr. D com um certo desprezo, pois, ele é filho de uma lenda, um sujeito que ganhou o prêmio de professor do ano por 43 anos seguidos, e em decorrência de sua morte, escolhem um jovem e petulante professor para substitui-lo, Sr.D.

Warner está obstinado e tem pela frente a árdua tarefa de vencer Sr. D na corrida para levar o prêmio de professor do ano. Mas com seu método tradicional de aulas, será facilmente repudiado pelos alunos que o consideram, no mínimo, um chato. Esta disputa ainda se torna mais desfavorável para Warner quando o próprio filho é um fã declarado de Sr. D.

Esta é uma comédia que pega o espectador pela emoção. Há momentos onde as relações familiares se tornam o foco, principalmente na relação pai e filho, onde o pai desesperadamente tenta ser o melhor pai do mundo ao mesmo tempo, que tem como meta primordial, a conquista do prêmio que há 43 anos pertenceu a seu pai. Seu intuito é prejudicado quando não percebe ao ridículo que seu filho é obrigado a se submeter por esta brincadeirinha de seu pai.

A trama vai evoluindo de forma previsível e no decorrer dos acontecimentos, tudo que parecia que iria acontecer, realmente acontece, e no final quando um segredo do Sr. D é revelado todos choram muito e aprendem a lição.

Crítica:

Mais um filme que enfoca a relação professor aluno. Desta vez não está em foco, adolescentes rebeldes que marcaram clássicos como "Ao mestre com carinho" dentre outros. Desta vez o que conduz o filme é a disparidade entre dois métodos de ensino, que são encarnados na disputa entre dois professores.
Um privilegia o método tradicional onde o professor tem seu lugar bem definido na sala de aula, e o aluno tem seu lugar e seu tempo de falar controlados pelo professor. O outro, procura deixar o aluno a vontade e muda totalmente a estrutura física da sala de aula fazendo os alunos se sentarem em círculo deixando-os olhando uns nos olhos dos outros privilegiando também o contato bilateral entre eles. Apesar dos típicos clichês do cinema norte-americanos que acompanha todo o desenrolar da história, este filme é minimamente pertinente ao contestar a rigidez estrutural do sistema de ensino tradicional.

E, incorporado no personagem Mr. D, é exposta uma alternativa com mais dinamismo. Não fosse esta, uma forma eficaz na formação de indivíduos que se enquadram no grupo dos que sabem muito, certamente é muito eficaz na formação de indivíduos que sabem aprender por si próprios. Logicamente que tudo isto no filme é bastante limitado pelo enredo sentimental que foi criado.
O filme passa ileso pelas generalizações explícitas, como: "o cara só é um bom professor porque é jovem". Na verdade Sr. D está substituindo um velho professor que por 43 anos consecutivos foi considerado o melhor da escola. "História é uma matéria envolvente, todo professor de história é legal, os professores de biologia são muito chatos". A professora que substituiu Sr. D quando este estava doente era uma bruxa, já o professor Warner aderiu ao sistema de Sr. D.

O filme, no entanto, como todos os filmes que visam o público adolescente, deixa uma mensagem edificante, que é na verdade uma concepção clonada do filme "Sociedade dos poetas mortos": "Viva cada dia como se fosse o ultimo". Não é um filme contestador no sentido social por mostrar a visão de mundo de uma classe média americana já bem acomodada no seu espaço como cidadãos, sendo assim, é difícil de utilizar esta obra no intuito de se ter uma visão dinâmica da sociedade.

É, entretanto, um bom inicio de diálogo entre métodos de ensino divergentes, e além do mais um bom entretenimento.


André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Melting Butterfly

Melting butterfly

    André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.

quinta-feira, 29 de março de 2018

História: 7 Músicas de Heavy Metal que podem ser usadas em uma aula de História.




O site “Loudwire” especializado em Heavy Metal publicou em 2013, uma matéria onde selecionou 10 músicas de Heavy Metal que são uma verdadeira aula de História. Como professor de História, achei-me no dever de eleger minha lista de músicas de Metal que podem ser usadas em uma aula de História e acrescentar umas dicas de como usar as músicas em uma boa aula, onde pelo menos aqueles seus alunos cabeludos que vão todo dia à escola de preto, irão adorar. 

O simples fato de se trabalhar com uma música de Heavy Metal já pode causar um certo furor, pois saímos da rotina e mostramos que estamos interessados em conhecer o mundo de nossos alunos. Vamos às músicas. 

Ok, bem-vindos ao nosso curso de História. Durante esse curso nós vamos cobrir tópicos históricos abrangendo desde a ascensão do império Alexandrino até eventos mais recentes, como a queda do muro de Berlim. No entanto, esta aula será dada de uma forma diferente do padrão do curso de História convencional. 

Esqueçam seus livros didáticos de História por enquanto, pois nessas aulas usaremos como ferramenta pedagógica 7 músicas de Heavy Metal que abordam os temas de nosso interesse, e para aqueles que não curtem Metal, eu tenho um bônus ao final do curso. Vamos as 7 músicas de Metal que nos ajudarão a entender um pouco mais sobre a história da humanidade, incluindo uma pequena inserção da participação do nosso país no maior conflito bélico da História, a Segunda Guerra Mundial

Só um esclarecimento, as músicas não estão em ordem de preferência, mas em ordem cronológica em relação aos eventos que elas descrevem.


1- Alexander the Great - Iron Maiden 

O IRON MAIDEN é uma banda que sempre apostou muito em letras sobre história, afinal o vocalista, BRUCE DICKINSON, além de ser piloto, doutor em música e palestrante de empreendedorismo, é também historiador. Mas creio que nunca foram tão descritivos e detalhista quanto em “Alexander the Great” (Alexandre O Grande). Enquanto a maioria das músicas do Maiden, envolvendo História, oferecem uma reflexão, esta canção especificamente é mais uma breve história de um dos maiores conquistadores da história do mundo. A música oferece insights sobre a vida de Alexandre, filho de Felipe da Macedônia, e detalha uma série de eventos cronológicos. Os locais das batalhas mais importantes e de seus oponentes já são o bastante para qualquer um tirar um “10” em um teste de História. A banda até mesmo menciona a influência que o conquistador teve ao espalhar o Helenismo mundo afora o que pavimentou o caminho para o cristianismo. Considere “Alexander the Great” como um guia para sua aula de história da Grécia. 


Ouça “Alexander the Great” do IRON MAIDEN no Youtube: 
https://www.youtube.com/watch?v=1oTEQf1d9Iw







2- Crusader – Saxon 

Essa canção dos britânicos do SAXON que assim como o IRON MAIDEN são remanescentes da NWOBHM (New Wave of British Heavy Metal), é uma visão a partir dos cavaleiros cristãos que se engajavam para lutar na terra santa, para recuperar Jerusalém tomada pelos Muçulmanos. Esses movimentos militares conhecidos como “cruzadas” se estenderam do século XI ao XIII. Os cavaleiros cristãos chamados de “cruzados” partiam de seus reinos europeus para lutar no oriente em nome de Cristo. É uma canção de caráter militar, inclusive no andamento ritmado, que poderia ser considerada uma marcha de chamada aos verdadeiros cavaleiros de Cristo para a guerra. Óbvio que como bons britânicos descendentes de saxões, a visão do SAXON é monocromática e se baseia na campanha cristã de libertação da Terra Santa. Dizem em um momento da música “Warlords of England, Knights of the Realm spilling their blood in the sand” (Senhores da Guerra da Inglaterra, Cavaleiros do Reino que derramam o sangue deles (inimigos muçulmanos) na areia). Ou seja, uma excelente introdução ao pensamento do cristão europeu médio do século XIII. Como não temos nenhuma banda de Metal alegadamente muçulmana, creio que não teremos uma música para contrapor essa visão de mundo, portanto, cabe ao bom professor de História dar sua contribuição às origens desse conflito. Mãos a obra. 

Ouça "Crusader" do SAXON no Youtube:
https://www.youtube.com/watch?v=JPbSjmToWXY





3- Declaration Day – Iced Earth 

Em uma lista que fala sobre músicas de Heavy Metal baseadas em História, creio que seria impossível não citar nenhuma música do ICED EARTH. Esta banda americana tem vários exemplos de letras com temas históricos. O líder da banda, o guitarrista JON SCHAFFER é um fanático por História, principalmente quando se trata da Guerra Civil Americana. Em 2007 o ICED EARTH lançou o álbum “The Glorious Burden”, que se trata de um trabalho conceitual que explora vários momentos da história dos EUA. A música que extraímos desse álbum é “Declaration Day” que é como uma ode aos americanos que lutaram pela independência em relação ao Império Britânico. O povo americano, que guiado pelo seu ideal de liberdade lutou até a morte para viver em uma nação livre da dominação colonial. É uma típica letra que enfatiza as virtudes dos que lutaram e poderia ser facilmente o hino da independência americana caso, não fosse uma música de Heavy Metal. 

Uma música desse tipo pode servir à uma aula de História como um recurso crítico e reflexivo para provocar no aluno o sentimento de patriotismo e depois é importante que esse sentimento seja confrontado com o sentimento de revolta dos séculos posteriores a independência, algo que podemos trabalhar na próxima canção desta lista. 

Ouça "Declaration day" do ICED EARTH no Youtube:
https://www.youtube.com/watch?v=RVOEoo1oXBs




4- Creek Mary's Blood – Nightwish 

Os finlandeses do NIGHTWISH, criaram uma bela narrativa sobre a colonização da América do Norte pelos europeus. Pelo ponto de vista de um indígena, a letra explica como os povos nativos foram dizimados pela invasão do homem branco. Sua cultura, sua religião e suas terras se transformaram em “uma trilha de lágrimas” como o refrão da música diz. Para dar mais fiabilidade à narrativa essa música foi gravada com a participação de JOHN TWO-HAWKS, um cantor e ativista da causa indígena. Two Hawks participou tocando um instrumento nativo das tribos norte-americanas e é o responsável por recitar o poema que é a parte final da canção na sua língua nativa (há controvérsias sobre a origem indígena de Two Hawks). A música se desenvolve de uma forma nostálgica traçando as lembranças que o protagonista tem de uma terra paradisíaca, antes da chegada dos europeus. Aqui podemos explorar a musicalidade e a linguagem das tribos indígenas americanas. Uma boa oportunidade de estudar de forma crítica a dominação do índio, pelo homem branco naquele país. 

Não há como precisar o número de indígenas que viviam no território americano antes do aparecimento dos europeus, mas há estimativas baseada em estudos etnográficos que afirmam que no início do século XIX, havia mais de 25 milhões de indígenas nos territórios norte-americanos, principalmente no oeste dos EUA, e mais de 2 mil línguas distintas. Após o genocídio indígena levado a cabo pelo governo no decorrer deste século restaram 2 milhões de indígenas espalhados por algumas reservas. 

A música de forma melancólica expõe a aniquilação irreversível dessas várias culturas ao longo do século XIX. A música se finda como um recado de um povo que agora só resta a memória. “Our spirit was here long before you, long before us and long will it be after your pride brings you to your end" (Nosso espírito estava aqui, muito antes de você chegar, e muito antes de nós, e aqui estará depois que seu orgulho trazer o seu fim).

Ouça "Creek Mary's Blood" do NIGHTWISH no Youtube:
https://www.youtube.com/watch?v=FB6nCwoVCYw







5- One – Metallica 

Esse clássico do METALLICA conta a trágica história de um soldado que foi gravemente ferido durante uma batalha. Depois de ter seu corpo praticamente destruído por um morteiro, ou uma mina terrestre, o soldado ainda vive em um leito de hospital. Sem poder usufruir de nenhum de seus sentidos físicos só lhe resta o sofrimento e a reflexão desse sofrimento. Como a letra não menciona qual conflito vitimou esse soldado, que fala em primeira pessoa sobre sua vontade de morrer, é um tema que poderia ser usado para falar explicitamente de todos os combates ocorridos durante o século XIX e XX, onde muitos soldados foram mutilados e tiveram que viver uma vida vegetativa por conta disso. Foi nessa época que foram usadas as primeiras armas de destruição em massa, como foguetes de longo alcance, o lança chamas e o gás mostarda, que deixou muitos homens com sequelas terríveis. No entanto, sabemos que “One” foi inspirada no romance Johnny Got His Gun (Johnny vai à Guerra) de Dalton Trumbo, que se passa durante a Primeira Guerra Mundial. É uma boa descrição do sofrimento exacerbado que muitos homens, em sua maioria, jovens que ainda não haviam constituído família. Muitas vezes, esses jovens soldados chegavam a desesperadora situação de terem ferimentos tão graves que a morte parecia sempre como uma salvação e esse aspecto a música do METALLICA consegue transmitir dentro de uma atmosfera melancólica e trágica, tornando desesperadora a narração do protagonista. 

Ouça "one" do METALLICA no Youtube:
https://www.youtube.com/watch?v=WM8bTdBs-cw






6- Smoking Snakes – Sabaton 

Os suecos do SABATON se orgulham de escrever sobre história militar. São fascinados por temas relacionados a Segunda Guerra Mundial e prestam um serviço grandioso ao estudo da História do Brasil no século XX. O SABATON se refere a participação brasileira na Segunda Grande Guerra na música “Smoking Snakes” (Cobras fumantes) do álbum HEROES de 2014. A letra desta música é uma exaltação a 3 soldados brasileiros que enfrentaram no dia 14 de abril de 1945 durante o ataque a cidade de Montese na Itália, uma das situações mais adversas dos pracinhas brasileiros. 

Creio que nenhuma banda de Metal antes, mesmo bandas brasileiras, se preocupou em homenagear um episódio heroico, desses soldados que saíram do Brasil desacreditados e despreparados para enfrentar um dos maiores exércitos do mundo na Europa. O título da canção é uma alusão à um ditado que se popularizou no Brasil durante a Guerra, pois os mais pessimistas, diziam que “é mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil entrar na guerra.” O fato é que o Brasil foi obrigado a entrar na guerra e o brasão oficial da FEB (Força Expedicionária Brasileira) era uma cobra fumando, justamente uma provocação a crença popular de que o Brasil jamais entraria naquela guerra. 

Ouça "Smoking Snakes" do SABATON







7- Wind of Change – Scorpions 

Esse hit da banda alemã SCORPIONS é talvez uma das mais conhecidas baladas dessa banda, que é especialista em fazer esse tipo de canção. Fala a respeito da queda do muro de Berlim que foi um momento tão emotivo para aqueles que o presenciaram. “Wind of Change” (vento da mudança) descreve o sentimento a respeito do muro que dividiu Berlim ocidental da Berlim Oriental e o que isso significa para o futuro. A queda do muro viu a Alemanha unificada pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Isso significou muito para aqueles que viviam na Berlim Oriental, por causa da grande disparidade de qualidade de vida que eles enfrentavam comparando com seus conterrâneos do lado ocidental. O muro de Berlim era uma lembrança melancólica da guerra que agora os cidadãos poderiam deixar para trás. Em um trecho da música é dito “Let your balalaika sing what my guitar wants to say” (Deixe sua balalaica cantar o que minha guitarra quer dizer). Uma forma genial de dizer para a cultura fechada da Alemanha Oriental simbolizada pela balalaica – instrumento popular da Rússia, que à época controlava esse país – se abrir ao som do ocidente, simbolizado pela guitarra – instrumento símbolo do Rock N’ Roll, música libertária que dominou o mundo. 


Ouça “Wind of Change” do SCORPIONS no Youtube: 






Estes são apenas 7 exemplos escolhidos arbitrariamente levando em conta meu próprio gosto musical, mas é nítido que um número infinito de músicas de Heavy Metal refere-se a temas históricos que tiveram importância para a humanidade. Cabe ao professor estar em sintonia com sua sala para notar a necessidade de usar ou não uma dessas canções em suas aulas de História. Mas por outro lado, muitas outras canções de estilos diversos foram escritas inspiradas em eventos históricos. O segredo é construir um ambiente propício para que os alunos se interessem pela matéria e essas músicas são uma alternativa para chamar a atenção dos alunos e de alguma forma entrar em seus mundos tão particulares. 

É inegável o maior interesse dos músicos e fãs de Heavy Metal por temas históricos, por isso sempre quando ver um headbanger, saiba que pode ter dele o seu melhor se cativá-lo corretamente. No entanto, podemos pensar em músicas alternativas para temas semelhantes. 


Bonus

A famosa banda U2 que tem um estilo mais popular e aceitável entre a juventude tem dois exemplos de músicas que podem ser trabalhados em sala de aula: “Sunday Bloody Sunday” que descreve o massacre de manifestantes irlandeses que protestavam contra a dominação britânica, evento que até hoje gera muita reflexão. Pride (In the name of Love) fala de forma subjetiva do assassinato do grande líder americano Martin Luther king Jr, que lutou bravamente pelos direitos da população negra dos EUA e foi assassinado por isso. 

Ouça "Pride (In the name of love) do U2 no Youtube:
https://www.youtube.com/watch?v=LHcP4MWABGY






Mãos à obra caros professores de História, vamos fazer nossos alunos curtirem nossas aulas... 

Qual música de Metal você gostaria de usar em uma aula de História?

Fonte: 
10 Metal Songs That Make a Great History Lesson
Leia a matéria em inglês do site Loudwire escrita por Joe DiVita, que inspirou esse artigo.




    André Stanley é escritor e professor de História, Inglês e Espanhol, autor do livro "O Cadáver", editor dos blogs: (Blog do André Stanley, Stanley Personal Teacher). Colaborador do site especializado em Heavy Metal Whiplash. Foi um dos membros fundadores da banda de Heavy Metal mineira Seven Keys. Também é fotógrafo e artista digital.

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