terça-feira, 20 de junho de 2017

Vontade de Mudar






A vontade de mudar é legítima, as vezes é difícil ser nós mesmos, o problema é que podemos enganar alguns, inclusive a nós mesmos, mas sempre seremos a mesma pessoa...foi muito frustrante descobrir que eu nunca havia deixado de ser eu mesmo. Para sermos os outros teríamos que ter vivido a vida dos outros, mas a única história que ajudamos a construir é a nossa própria. E eu sou hoje o que construí ao longo dos anos. Viver é lapidar, esculpir a cada dia um ser que no fim da vida só conseguirá ser o que sempre foi. Transformações são eventos metafísicos vendidos por religiões e livros de auto-ajuda. Mas na vida real não se pode esculpir uma estatua de mármore com um monte de barro.





André Stanley alcunha de André Luiz Ribeiro é professor e escritor; autor do livro “O Cadáver” (Editora Multifoco – 2013); É membro efetivo da Asso. Dos Historiadores e pesquisadores dos Sertões do Jacuhy desde 2004. Atua hoje como professor e pesquisador de História Cultural. Também leciona língua inglesa, idioma que domina desde a adolescência, Administra e escreve para os blogs: Blog do André Stanley (blogdoandrestanley.blogspot.com) – Sobre História, política, arte, religião, humor e assuntos diversos e Stanley Personal Teacher (stanleypersonalteacher.blogspot.com) onde da dicas de Inglês e posta exercícios para todos os níveis.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Lolita – A obra controversa de Vladimir Nabokov



Versão resumida

Ficha técnica:
Livro: Lolita
Autor: Vladimir Nabokov
Ano de Lançamento: 1955
País: EUA
Gênero: Romance Americano/Ficção

A genialidade de Nabokov é evidenciada a cada capítulo. As passagens mais geniais são uma sucessão de coincidências tragicômicas que marcam estrategicamente o enredo, dando uma dinâmica essencial ao desfecho de cada situação. Se trata de uma narração em primeira pessoa das memórias do professor universitário francês Humbert Humbert que vive nos EUA. Humbert se apaixona pela filha de sua anfitriã, uma garota de 12 anos. Paixão que vai levar o protagonista a fazer qualquer coisa para possuí-la. Sua conduta criminosa é narrada de forma crua e detalhada por ele próprio. Como se trata de suas memórias a respeito dessa paixão incontrolável que vai leva-los a uma viagem pelas estradas de alguns estados americanos, a história se assemelha a uma narrativa de viagem com fortes elementos subversivos. Em alguns momentos o narrador protagonista tenta justificar suas ações, como se estivesse conversando com o leitor, mas ele próprio não parece ter a intenção de se redimir de seus crimes, em várias passagens ele se auto intitula como um pervertido sexual.
As questões sempre levantadas a cada uma de suas ações parecem ser: Será que Humbert é um doente que precisa de tratamento? Será que ele está simplesmente apaixonado? Ou será que ele é um monstro? O livro não se presa a responder essas questões, deixando ao leitor essas reflexões. Ou seja, se você está com receio de ler o livro devido as polemicas que ele levanta, saiba que esse não é um bom argumento, é importante conhecer, um pouco, de como funciona a cabeça de um criminoso, isso enriquecerá seu repertório de personagens que carregam mundos complexos dentro de si e que por isso nos fazem pensar sobre nós mesmos e nossas relações com os outros.

Leia o artigo inteiro


André Stanley alcunha de André Luiz Ribeiro é professor e escritor; autor do livro “O Cadáver” (Editora Multifoco – 2013); É membro efetivo da Asso. Dos Historiadores e pesquisadores dos Sertões do Jacuhy desde 2004. Atua hoje como professor e pesquisador de História Cultural. Também leciona língua inglesa, idioma que domina desde a adolescência, Administra e escreve para os blogs: Blog do André Stanley (blogdoandrestanley.blogspot.com) – Sobre História, política, arte, religião, humor e assuntos diversos e Stanley Personal Teacher (stanleypersonalteacher.blogspot.com) onde da dicas de Inglês e posta exercícios para todos os níveis.

Lolita – A obra controversa de Vladimir Nabokov




Ficha técnica:
Livro: Lolita
Autor: Vladimir Nabokov
Ano de Lançamento: 1955
País: EUA
Gênero: Romance Americano/Ficção

Trata-se de um clássico da literatura mundial, portanto, muito já foi escrito a respeito desse livro e muito ainda será escrito. Baseado nas resenhas jornalísticas e críticas sobre essa obra muitas pessoas se recusam a ler o livro, talvez por um pudor exacerbado, e se privam de um romance altamente técnico e bem construído. O tema que o autor aborda na sua narrativa é sumariamente absurdo para a nossa sociedade cristã ocidental. E talvez seja o fato de o autor, ter tratado das aventuras sexuais de um homem de meia idade com uma menina de 12 anos, com tamanha maestria que esse romance cause ainda mais constrangimento a alguns leitores mais conservadores.
Mas a literatura como arte não serve – ou não deveria servir – a consolidação dos anseios sócias. Ela deve sim criar mundos, criar histórias pertinentes para que cada leitor se aproprie desse mundo que de outra forma não conseguiriam ter contato. E a matéria prima da literatura é o próprio homem, e as relações que ele estabelece com os outros. Nesse sentido, Nabokov buscou suas fontes não no mundo que ele gostaria que existisse, mas no mundo que já existe. Sendo assim, o autor foi feliz em explorar uma faceta obscura do ser humano de forma realista. Quando digo realista, quero dizer que ele não se deixou levar pelo moralismo exacerbado de sua época e deu voz a um personagem patologicamente obscuro, com todos seus demônios interiores sendo expostos em primeira pessoa. Pois, quando um autor usa sua arte para defender um ponto de vista simplesmente por que ele acha que certo faze-lo ele está se distanciando do que conhecemos como literatura e criando um manual de bons comportamentos, o que podemos definir hoje em dia como autoajuda.
Sobre a obra é preciso dizer que a narrativa é precisa, a genialidade de Nabokov é evidenciada a cada capítulo. As passagens mais geniais são uma sucessão de coincidências tragicômicas que marcam estrategicamente o enredo, dando uma dinâmica essencial ao desfecho de cada situação. Se trata de uma narração em primeira pessoa das memórias do professor universitário francês Humbert Humbert que vive nos EUA. Humbert se apaixona pela filha de sua anfitriã, uma garota de 12 anos. Paixão que vai levar o protagonista a fazer qualquer coisa para possuí-la. Sua conduta criminosa é narrada de forma crua e detalhada por ele próprio. Como se trata de suas memórias a respeito dessa paixão incontrolável que vai leva-los a uma viagem pelas estradas de alguns estados americanos, a história se assemelha a uma narrativa de viagem com fortes elementos subversivos. Em alguns momentos o narrador protagonista tenta justificar suas ações, como se estivesse conversando com o leitor, mas ele próprio não parece ter a intenção de se redimir de seus crimes, em várias passagens ele se auto intitula como um pervertido sexual. Com essa obra Nabokov introduz – ou pelo menos populariza – uma nova palavra ao dicionário de língua inglesa. O termo nymphet – traduzido para o português como ninfeta – é cunhado pelo narrador como um título que representaria a mulher precocemente preparada para desempenhar sua plena atividade sexual. No entanto, para a concepção pedófila do personagem de Nabokov esse adjetivo se aplica especificamente a meninas pré-adolescentes, pois o termo vai perdendo o sentido conforme elas envelhecem.

As questões sempre levantadas a cada uma de suas ações parecem ser: Será que Humbert é um doente que precisa de tratamento? Será que ele está simplesmente apaixonado? Ou será que ele é um monstro? O livro não se presa a responder essas questões, deixando ao leitor essas reflexões. Ou seja, se você está com receio de ler o livro devido as polemicas que ele levanta, saiba que esse não é um bom argumento, é importante conhecer, um pouco, de como funciona a cabeça de um criminoso, isso enriquecerá seu repertório de personagens que carregam mundos complexos dentro de si e que por isso nos fazem pensar sobre nós mesmos e nossas relações com os outros.


André Stanley alcunha de André Luiz Ribeiro é professor e escritor; autor do livro “O Cadáver” (Editora Multifoco – 2013); É membro efetivo da Asso. Dos Historiadores e pesquisadores dos Sertões do Jacuhy desde 2004. Atua hoje como professor e pesquisador de História Cultural. Também leciona língua inglesa, idioma que domina desde a adolescência, Administra e escreve para os blogs: Blog do André Stanley (blogdoandrestanley.blogspot.com) – Sobre História, política, arte, religião, humor e assuntos diversos e Stanley Personal Teacher (stanleypersonalteacher.blogspot.com) onde da dicas de Inglês e posta exercícios para todos os níveis.

quarta-feira, 8 de março de 2017

A origem do Dia Internacional da Mulher.



O dia 8 de Março foi instituído pela ONU em 1975 como o Dia Internacional da Mulher. Essa data não é somente uma comemoração, mas foi estabelecida como um dia de debates e reflexões sobre o papel das mulheres na sociedade moderna. Para saber como esse dia foi escolhido como tal é preciso retroceder no tempo para o final do século XIX, momento onde o processo de industrialização estava a pleno vapor, e as fabricas exploravam ao máximo a mão-de-obra barata. Trabalhadores eram confinados a fazer serviços pesados durante mais de 10 horas diárias – chegavam a trabalhar 16horas em um só dia. Agora se você fosse mulher essa situação era amplificada, pois além de trabalharem demasiadamente – chegavam a ficar 12 horas literalmente trancadas dentro de um fabrica – recebiam muito menos que um homem. Muitas trabalhavam por um 1/3 do salário de um trabalhador médio masculino.

A data escolhida pela ONU para instituir o Dia Internacional das Mulheres refere-se a um evento que teria ocorrido no dia 8 de março de 1857, onde um grupo de operárias norte-americanas que trabalhavam em uma fabrica de tecido na cidade de Nova Iorque organizaram uma greve, ocuparam a fabrica reivindicando melhores condições de trabalho e redução da jornada. O desfecho do evento foi trágico, segundo a tradição oral, os proprietários da fabrica trancaram as operárias dentro das instalações da empresa e iniciaram um incêndio que matou as 129 mulheres amotinadas. Mas apesar de esta ser a história que muitos acreditam ter dado a origem da comemoração da data, não há evidencias históricas desse evento. Não há noticias de jornais da época, não há nenhuma menção documentada sobre o incêndio de 8 de março de 1857. O que nos leva a concluir que é uma ficção disseminada por meio da história oral ou no mínimo, uma grande confusão histórica, pois houve no inicio do século XX, alguns incêndios de grandes proporções em fabricas nos EUA, para ser mais especifico no dia 25 de março de 1911 uma fabrica de tecido na cidade de Nova Iorque matou 146 pessoas dentre elas 123 eram mulheres. Ao contrário do suposto incêndio de 1857, essa tragédia foi muito bem documentada e algumas fotos atribuídas como sendo do incêndio de 8 de março de 1857 são na verdade imagens do grande incêndio de 1911.

Foto jornalistica de algumas vítimas do incêndio de 1911 em NY


O primeiro Dia Nacional da Mulher foi celebrado em maio de 1908 nos Estados Unidos, quando cerca de 1500 mulheres aderiram a uma manifestação em prol da igualdade econômica e política no país. No ano seguinte, o Partido Socialista dos EUA oficializou a data como sendo 28 de fevereiro, com um protesto que reuniu mais de 3 mil pessoas no centro de Nova York e culminou, em novembro de 1909, em uma longa greve têxtil que fechou quase 500 fábricas americanas.

Greve Têxtil de 1910
Há também evidencias sobre a comemoração do dia Internacional da mulher na Alemanha, Áustria e Suécia no dia 19 de Março de 1911.


Poster alemão de 1914 em comemoração ao
Dia Internacional da Mulher, conclama
o direito ao voto feminino.

O dia 8 de março ganhou força com a grande manifestação das mulheres russas ocorridas nessa data no ano de 1917 que exigiam melhores condições de trabalho e eram contra a entrada da Rússia czarista na Primeira Guerra Mundial. Tais manifestações deram inicio ao processo revolucionário que derrubou o Czar Nicolau II. Na Rússia stalinista o dia internacional da mulher era usado como propaganda do partido comunista, o que de certa forma fez com que durante a Guerra Fria o ocidente buscasse outra fonte para justificar o 8 de março.

Ou seja, a instituição da data tem forte conotação política. Apesar disso é uma data para reflexão. Uma reflexão sobre as conquistas alcançadas pelos movimentos operários de mulheres do final do século XIX e início do XX. Analisando o que essas mulheres que botaram sua cara a tapa fizeram em seu tempo, pode tornar as manifestações de grupos feministas da atualidade simples atividades performáticas. 




Fontes:


sábado, 14 de janeiro de 2017

(Livro) Meus Tempos de Ansiedade - Sim, eu sou ansioso.





Os distúrbios de ansiedade estão hoje entre os problemas mais tratados pela psiquiatria e pela psicologia. Estamos passando por uma era onde a exposição desses distúrbios mentais ganharam status de problemas médicos sérios que devem ser tratados. Se por um lado isso derrubou o tabu de que pessoas deprimidas ou com uma ansiedade acima do normal eram vistas como pessoas mentalmente fracas e incapazes, por outro isso fez com que o uso de medicamentos para doenças relacionadas a transtornos de ansiedade crescesse assustadoramente nos últimos anos. O fenômeno também pode ser percebido no mercado editorial onde autores de autoajuda se proliferam e lucram de uma forma avassaladora, pois oferecem segredos mágicos de como se livrar das suas mazelas psicológicas sem precisar recorrer a médicos ou psicólogos, muitas vezes os próprios médicos e psicólogos aproveitam a onda e se tornam autores de autoajuda.

Transtornos como síndrome do pânico, transtorno bipolar, TOC e alguns outros – que estão hoje enquadrados dentro do termo genérico de “Transtornos de ansiedade” – nunca foram tão estudados e avaliados e também nunca foram tão supervalorizados como hoje. Muitos exacerbam o comentário dizendo que estamos passando por uma epidemia de distúrbios de ansiedade no mundo ocidental.

A verdade é que mesmo em um mundo tão pequeno e superlotado de informações, ainda não temos uma noção exata sobre a causa desses transtornos. Muitos seguem uma corrente mais freudiana que diz que é tudo proveniente de situações reprimidas pelo seu inconsciente e que você deve resolver essas pelejas internas - geralmente relacionadas com impulsos sexuais reprimidos – para se livrar de sua ansiedade, outros já acham que a ansiedade é um problema neurológico e genético. Dessa forma você deve se tratar com medicamentos que regulam a sua produção de neurotransmissores que são responsáveis diretos pelo seu estado mental. Ou seja, ainda não temos uma resposta inteiramente honesta e significativa sobre como lidar com esses problemas.


Para entender mais detalhadamente sobre todas essas incoerências indico aqui o livro do jornalista e editor americano Scott Stossel. Seu livro “My Age of Anxiety-Fear, Hope, Dread and Search for peace of mind.” (Meus tempos de ansiedade-Companhia das letras). Nesse livro o autor faz uma vasta pesquisa sobre o que é ansiedade e como esse termo vem sendo usado desde tempos imemoriáveis. Conta como os antigos lidavam com esse problema e toda a trajetória desse distúrbio através dos tempos até ser catalogado no DSM -Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders. Que é o manual de transtornos mentais que é publicado pelo APN (Associação Americana de Psiquiatria). Os tratamentos utilizados para combater esse transtorno também é detalhadamente dissecado pelo autor, mostrando os encontros e desencontros dos especialistas sobre como tratar o problema. 

O mais interessante do livro fica por parte da abordagem do autor que usa seu próprio sofrimento para construir a narrativa. É como se você literalmente conversasse com Scott, que é um ansioso crônico e já se submeteu a quase todo tipo de tratamento existente para amenizar suas crises de ansiedade desde que era uma criança tímida e antissocial. Ou seja, se você é ansioso e curte fazer leituras de gurus da autoajuda para se sentir melhor, esse não é um livro indicado para você, ou é, dependendo da abordagem que você queira dar a sua doença. 

O livro está longe de ser um manual de “como lidar com a ansiedade em 10 passos” como todo ansioso espera. É uma ambiciosa compilação de informações coletadas por um ansioso que se tornou um estudioso do assunto. Algo que eu nunca vi antes em nenhum trabalho do gênero. O Próprio Scott diz que escreveu o livro como uma forma de lidar com sua própria ansiedade e apesar da falta de ambição em se livrar de uma vez por todas desse problema ele até se arrisca a fazer uma autoanalise no capítulo final. Grande livro para quem quer desvendar os bastidores dessa doença que acomete milhões de pessoas ao redor do mundo incluindo esse que vos escreve.

Fonte:

Stossel, Scott. My Age of Anxiety - Fear, Hope, Dread and Search for Peace of Mind. 



André Stanley alcunha de André Luiz Ribeiro é professor e escritor; autor do livro “O Cadáver” (Editora Multifoco – 2013); É membro efetivo da Asso. Dos Historiadores e pesquisadores dos Sertões do Jacuhy desde 2004. Atua hoje como professor e pesquisador de História Cultural. Também leciona língua inglesa, idioma que domina desde a adolescência, Administra e escreve para os blogs: Blog do André Stanley (blogdoandrestanley.blogspot.com) – Sobre História, política, arte, religião, humor e assuntos diversos e Stanley Personal Teacher (stanleypersonalteacher.blogspot.com) onde da dicas de Inglês e posta exercícios para todos os níveis.


terça-feira, 10 de janeiro de 2017

A Bunda - um misterioso fascínio

Imagem - Karen Abramyan


Bundas são unanimidade na cultura masculina. Não há aquele cidadão que enxergue, que não se distraia com um par de nádegas bem redondas e majestosas na sua frente. Creio que falar de bundas nessa era de discursos politicamente corretos é quase um pecado mortal, mas é impossível viver indiferente a esse fascínio que vez ou outra somos acometidos. A bunda é em si um pecado e por isso ela é pura arte, é poesia pronta. Drummond que o diga...

“Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.
A bunda é a bunda,
redunda. ” (1)

Uma coisa interessante sobre a bunda é que ela só já basta. Se uma mulher não foi dotada pela mãe natureza com um rosto bonito, isso não vai importar tanto caso ela tenha os fundos chamativos. Ainda poetizando...


“Por onde ela passa todo mundo espia,
Não para a cara, que não é formosa,
Mas para a bunda, que é maravilhosa,
Em bunda nunca vi tanta magia

Eu a contemplo num silêncio mudo,
Embora a cara não valesse nada,
Só aquela bunda me valia tudo! ” (2)


Quantas vezes somos atendidos por recepcionistas que no rosto além do sorriso falso nenhum outro chamariz notamos, mas basta ela se levantar e virar de costas para pegar algo na impressora e nossos olhos são violentamente tragados para uma obra prima indescritível. Assim como disse o poeta Aurélio Aquino.

"porque a lúdica simetria
de tua glútea paisagem
enseja a exata proporção
de todas as miragens" (3)


E nesse país dos trópicos onde a miscigenação marcou presença na feitura desse povo, a preferência nacional se tornou a bunda, afinal sem ela o que seria do carnaval e das propagandas de cerveja? E os conservadores do bom costume em sua cruzada contra a tentação glútea perdem uma vida tentando não olhar para a bunda

“Uma bunda é uma bunda, é uma bunda.
Quem nela seu olhar não fixa,
Sua alma entristecida de rancor
Tristeza e melancolia abunda. ” (4)


A bunda é um mistério para a ciência explicar nos próximos anos, não sei se conseguirão descobrir de onde vem tamanha adoração, mas até lá somente a poesia dará conta de expressar essa idolatria com precisão. 


Poemas:
  1. A Bunda Engraçada – Carlos Drummond de Andrade (O Amor natural, Companhia das Letras)
  2. A Bunda que tudo vale – Atribuído a Belmiro Braga (sem comprovação de autoria)
  3. Poema à mulher da bunda grande – Aurélio Aquino (retirado do website “Aurélio Aquino -Verbos)
  4. Poema à bunda – Retirado do Blog "como numa parada" (postado por FelipeLeite)


Fontes:

  1. Disponível em: http://nomeiodocaminhotinhaumpoeta.blogspot.com.br/. Acesso em: 10 de janeiro de 2017.
  2. Disponível em: http://almanaquenilomoraes.blogspot.com.br/2015/11/poemas-e-trovas-de-belmiro-braga.html, Acesso em 10 de Janeiro de 2017
  3. Disponível em: http://www.aurelioaquino.net/visualizar.php?idt=2090177. Acesso em 10 de janeiro de 2017.
  4. Disponível em: http://comonumaparada.blogspot.com.br/2010/03/poema-bunda_04.html. Acesso em: 10 de janeiro de 2017


André Stanley alcunha de André Luiz Ribeiro é professor e escritor; autor do livro “O Cadáver” (Editora Multifoco – 2013); É membro efetivo da Asso. Dos Historiadores e pesquisadores dos Sertões do Jacuhy desde 2004. Atua hoje como professor e pesquisador de História Cultural. Também leciona língua inglesa, idioma que domina desde a adolescência, Administra e escreve para os blogs: Blog do André Stanley (blogdoandrestanley.blogspot.com) – Sobre História, política, arte, religião, humor e assuntos diversos e Stanley Personal Teacher (stanleypersonalteacher.blogspot.com) onde da dicas de Inglês e posta exercícios para todos os níveis.


domingo, 8 de janeiro de 2017

A Nascente – a literatura a serviço da ideologia






Ficha técnica:

Título:A Nascente
Autor (a): Ayn Rand
Editora: Arqueiro
País de origem: EUA
Título original: The Fountainhead
Ano de Lançado: 1943
Gênero: Romance Americano/Ficção


A Nascente é um livro muito influente nos EUA. Foi publicado em 1943 e trata-se do segundo romance escrito pela autora russa naturalizada americana, Ayn Rand. Não há nada essencial que o possa diferenciar dos mais populares romances americanos dessa mesma época. A história é narrada em terceira pessoa, sendo que muitos diálogos são utilizados para demostrar o relacionamento de repulsa e atração entre os diversos personagens da obra. Obedece ao rigor da ordem cronológica dos fatos, com algumas reminiscências de alguns personagens. Se há algum diferencial no livro não está na sua estrutura formal, mas sim no enredo que é propositalmente muito detalhado e é possível notar o peso ideológico da autora, que era graduada em filosofia, a cada acontecimento. A história parece demonstrar ao leitor, de uma forma quase pedagógica, como seria o homem ideal, como deveríamos proceder para atingir nossos objetivos pessoais de uma forma totalmente egoísta deixando de lado qualquer manifestação de altruísmo que possamos cultivar influenciados por familiares, religiões ou outras instituições. Trata-se do cerne da filosofia da autora que foi batizada pela própria de “Objetivismo. ” Ou seja, é quase um livro didático demonstrando como viver nesse mundo. Um tipo de autoajuda para os empreendedores de sua época.

O protagonista parece acumular todas as virtudes apreciadas pela autora, como o desapego as construções abstratas criadas pela sociedade, o compromisso com seu ideal acima de tudo e como já foi dito, o egoísmo exacerbado que para a autora é preferível a um altruísmo inútil.
Há personagens bem caricatos, como Ellsworth Toohey, que encerra nitidamente em si uma opressão socialista que a própria autora sofreu enquanto vivia na antiga União Soviética. Temos também Dominque Francon, uma jornalista que nunca perde um debate. São personagens bem rasos e por isso nunca notamos uma mudança de perfil psicológicos neles. Talvez com exceção de Keatting que é um dos arquitetos que protagonizam a história. Sofre com perdas e com arrependimentos, e assim podemos notar uma profundidade maior em suas atitudes, no entanto ele é o típico personagem apático que parece representar a maior parte da sociedade dominada pelas escolhas alheias. Os outros são basicamente perfis psicológicos imutáveis que ilustram a forma de ver a vida da autora filosofa. O fato de os personagens serem muito rasos pode estar segundo alguns analistas no fato de Ayn Rand tê-los elaborado a partir de personagens de filmes pastelões da sua época. Ayn Rand era muito próxima da indústria cinematográfica e tentou fazer carreira como roteirista e até atriz. Ela própria escreveu o roteiro cinematográfico dessa obra quando foi levada ao cinema em 1949. Mas foi na literatura que ela se tornou conhecida.
Ou seja, um romance que demonstra muito do pensamento de direita americano, de livre mercado e de “faça como deve ser feito, não como querem que você faça”, no entanto, há elementos que não nos deixa simplesmente taxa-la de conservadora extremista, como sempre temos a impressão de ser. A mulher na obra de Rand, por exemplo, tem papel fundamental e não é um simples adorno romântico aos dramas do homem. Dominique Francon é o tipo de mulher que a autora imagina para uma sociedade melhor e libertária. Ela debate com os intelectuais, aprecia arte moderna, não acredita no amor romântico, se entrega a quem lhe dá prazer e age com escarnio a quem lhe tenta mostrar um manual de bom comportamento. Uma mulher insuportável para uma sociedade machista, isso na primeira metade do século XX. Ou seja, Ayn Rand é aquele tipo de personagem que vez ou outra surge para oxigenar o debate sobre como construir uma sociedade moderna. É direitista, e vez ou outra é exaltada pelos republicanos, mas repudia elementos da própria direita cristã ao defender o ateísmo e a liberdade feminina. E essa obra reflete perfeitamente toda essa contradição ideológica, através do antagonismo vivido pelos arquitetos Keating e Roark. A autora busca discutir as desavenças entre o coletivo e o individual, criando um mundo onde o coletivo já nasce derrotado.
Como obra literária o romance é muito fraco. Não desafia o leitor a questionar ou a contestar. É praticamente uma parábola sobre o bem viver e sobre o que realmente devemos buscar na nossa vida. Essa estrutura engessada cria uma incoerência na verossimilhança da obra. Os personagens estão muito distantes da realidade nua e crua servindo apenas como simples alegorias para a apresentação de uma filosofia de vida. São como modelos desfilando em uma passarela tentando vender roupas espalhafatosas que ninguém em sã consciência iria usar no seu dia a dia. Uma trama ideologizada demais para uma escritora que se diz pragmática. Vale a pena ler como exercício de pensar sobre o que não é literatura.

Um ponto positivo da obra fica por conta das mudanças em curso no campo da arquitetura do século XX que vinha deixando as formas clássicas de construção para uma forma mais pragmática, onde o uso do espaço de forma mais prática passou a ser o carro chefe, ao invés de elementos simplesmente estéticos. Essa mudança na mentalidade dos arquitetos é bem exemplificada na obra. Podemos notar que a autora fez um árduo trabalho de pesquisa sobre arquitetura para compor esse livro.


Ayn Rand












André Stanley alcunha de André Luiz Ribeiro é professor e escritor; autor do livro “O Cadáver” (Editora Multifoco – 2013); É membro efetivo da Asso. Dos Historiadores e pesquisadores dos Sertões do Jacuhy desde 2004. Atua hoje como professor e pesquisador de História Cultural. Também leciona língua inglesa, idioma que domina desde a adolescência, Administra e escreve para os blogs: Blog do André Stanley (blogdoandrestanley.blogspot.com) – Sobre História, política, arte, religião, humor e assuntos diversos e Stanley Personal Teacher (stanleypersonalteacher.blogspot.com) onde da dicas de Inglês e posta exercícios para todos os níveis.

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